O Centenário de Manuel Felipe de Lima
O Centenário de Manuel Felipe de Lima
1888 – 13 de setembro - 1988
DADOS BIOGRÁFICOS DE MANUEL FELIPE
Manuel Felipe de Lima nasceu no dia 13.09.1888, no Sítio Mandacaru, município de Senador Pompeu, foi o primeiro filho de Cosmo Ferreira Lima e Maria Rozeno do Nascimento Lima (Mãe Cimente). Foi batizado em Mombaça, quando era vigário o Padre José Cândido de Queiroz Lima, 11º vigário da Paróquia de N.S. da Glória. Era o mais velho dos nove filhos de “Papai Cosme” e “Mãe Cimente”.
Casou-se em 22.11.1910 com Maria de Jesus Sá, filha de João Antônio Vieira Sá e Luzia Francisca Sá.
Durante grande parte de sua vida foi “freteiro”, ou melhor, comboeiro, conduzindo frete no lombo de animais da Serra de Santa Rita – Pedra Branca – para a região do Cariri, estabelecendo-se depois como agricultor e pecuarista no sertão central.
Faleceu no dia 22 de março de 1972, com 84 anos de idade, deixando uma numerosa descendência.
A União dos “Sá e Lima”
A história de amor que uniu a família Sá à família Lima (conhecida na região centro sul do Ceará como família “Cosme”), união que durou 62 anos e 4 meses e que nos deixou uma enorme descendência, teve o seu início em 1909 num fim de tarde de outubro na fazenda Veneza quando Manuel Felipe, então um jovem de 21 anos, conheceu Maria de Jesus, uma menina moça de apenas 13 anos, a quem família chamava carinhosamente de “Manica”. O encontro deu-se em casa de Idelfonso, tio de “Manica”, quando Manuel Felipe dirigia-se a Senador Pompeu conduzindo mercadorias de seu pai, do qual era freteiro. É bom ressaltar que na época não havia transporte de carga, a mercadoria era conduzida no lombo de animais.
No segundo encontro, “Manica” (apelido que recebeu da família Cosme) recebeu de Manuel uma pequena lembrança que ela, ainda hoje, 79 anos depois, conserva na memória: era um jarro de talco, segundo a mesma, uma coisa muita linda e perfumada. A partir do dia em que ele deu esta pequena oferenda, o romance teve o seu início, Manuel, que antes freqüentava a casa de Idelfonso, ficou freqüentando a casa do Sr. João Antônio e de Dona Luzia, como pretendente à mão de sua filha mais velha.
O namoro era muito simples, pouca conversa, algumas vezes, sentam-se lado a lado e em algumas ocasiões davam-se as mãos; nunca ocorreram entre os dois, beijos e abraços. O romance que surgiu entre os dois e que culminou em casamento durou um ano, período compreendido entre namoro e noivado. Durante este ano a noiva ausentou-se de casa, durante seis meses, período em que passou no Colégio, estudando e preparando-se para o futuro enlace. Regressando à casa paterna já veio pronta para casar, encontrando tudo pronto em Veneza para o casamento.
O primeiro passeio que fizeram antes do casamento foi a Fazenda Mandacaru na casa da família “Cosme”, Merica foi muito bem tratada por todos, nascendo daí uma amizade que ainda perdura até hoje. Lembra ela que na época contava 14 anos de idade.
A primeira festa que compareceram juntos foi a uma festa e S. João em Santa Clara. Na ocasião ela foi participar de uma rifa e ela ficou entretendo-se, e conversa com as amigas.
Lembra “Merica” que nem ela nem o noivo gostavam de roupas exageradas, usavam roupas simples, mas de bom gosto
22 de novembro de 1910, há pouco menos de 77 anos, deu-se o casamento de Manuel Felipe e Maria de Jesus, numa manhã bonita de verão, quando o sol queimava a caatinga do sertão, numa festa realizada no vasto alpendre da casa grande da Fazenda Veneza. Merica recorda a hora exata do enlace: faltavam “10 para 11”, ou seja, 10:50 horas. Ela trajava um vestido branco, cumprido, de cauda; o véu era muito fino e a grinalda era linda. O traje do noivo também ainda está em sua lembrança, palito de noivo preto com colete. O casamento foi realizado na sala da casa grande. Foram padrinhos do noivo o Sr. Francisco Cosme e João Clemente e Madrinhas da noiva suas cunhadas “Anjinha” e “Dorinha”.
O enlace foi celebrado pelo Padre Pedro Leão Paes de Andrade que chegou à noite na véspera do casamento; com ele vieram as três irmãs do Padre Lino Aderaldo, Nonoca, Custódia e Cristina
Padre Pedro Leão Paes de Andrade
A festa foi o maior banquete realizado na Fazenda Veneza, sendo servida comida e bebida em abundância a todos que compareceram às bodas da primogênita da família Vieira e Sá.
Por exigência do Sr. João Antonio, o casal ficou residindo na Fazenda Veneza. A exigência foi devida ao fato de “a noiva ser muito jovem”, combinando-se para que, pelo período de um ano, o jovem casal permanecesse na casa paterna da noiva.
Este período que vai de 1910 a 1911 é cheio de lembranças agradáveis para Merica, que recorda, com muitas saudades, esta época feliz de sua vida a qual passou na casa paterna, junto ao esposo e a seus entes queridos. Durante este ano passearam bastante, passaram a Semana Santa de 1911 em Pedra Branca, foram várias vezes a Mombaça, Senador Pompeu e ao Riacho do Sangue para casa e pessoas da família.
Após um ano de casados foram residir em Santa Clara. Lá nasceu o primeiro filho do casal, no dia 04.09.1912, a criança recebeu o nome de João Deusdete por escolha da avó materna que deseja que o netinho levasse o nome do avô, João. Aliás, o nome dos filhos era sempre combinado entre Manuel e Merica, assim como a escolha dos padrinhos. A João Deusdete seguiram-se Pedro, Maria do Carmo, Francisco, Rita, Almerinda, Manuel Carlos, Paulo, Isabel, Juarez, Ermano, Jó, Antonio Fernando e Raimundo, afora os que Deus levou para o Céu em tenra idade, Antonio, Expedito, José, Nilton, Terezinha e José Ferdinando (gêmeo de Antonio Fernando) e três que foram natimortos, perfazendo um total de 21 filhos.
Em 1970, Manuel Cosme começou a apresentar sintomas de doença que o levou à morte – diabete – mas somente em fevereiro de 1972 foi que se prostrou ao leito, falecendo no dia 22 de março de 1972 com 84 anos, seis meses e nove dias.
Durante a sua enfermidade foi atendido pelo Dr. Antônio Sisnando de Carvalho, conhecido médico de Mombaça, mas infelizmente, jamais quis seguir a dieta que lhe era prescrita, daí a diabete ter ceifado tão rápido a sua vida.
Na trajetória de sua enfermidade foi sempre cercado pelo cuidado e carinho dos filhos, sendo assistido, nos últimos momentos, pelo seu filho Paulo. Ao seu lado permaneceram, além dos filhos, os genros, as noras, netos, amigos e parentes só estando ausente seu filho Juarez, residente em São Paulo.
O seu sepultamento deu-se no dia 23.03.1972, no Cemitério de Mombaça, no jazigo por ele mesmo mandado construir
Manuel Felipe de Lima nasceu no dia 13.09.1888, no Sítio Mandacaru, município de Senador Pompeu, foi o primeiro filho de Cosmo Ferreira Lima e Maria Rozeno do Nascimento Lima (Mãe Cimente). Foi batizado em Mombaça, quando era vigário o Padre José Cândido de Queiroz Lima, 11º vigário da Paróquia de N.S. da Glória.
Padre José Cândido de Queiroz Lima
Corpo de Manoel Cosme e o seu cão fiel, o Pilantra
+ 22 de março de 1972
Capela no Cemitério de Mombaça onde foi sepultado Manuel Cosme
Fonte: O Centenário de Manuel Felipe de Lima







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